O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou preocupação com o cenário político brasileiro em entrevista a jornalistas, descrevendo-o como "um pouco complicado" e "perigoso". Durante a conversa, Trump também demonstrou desinformação ao confundir membros da família Bolsonaro, mencionando a suposta prisão de "Bolsonaro Jr." por uma declaração no Texas. Na verdade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, com pena de quatro anos e dois meses em regime semiaberto, ainda passível de recurso e sem decretação de prisão.

Em resposta às declarações de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou que o republicano pode ter suas preferências, mas que "desconhece o Brasil" se sua visão se baseia na relação com a família Bolsonaro. Lula pediu que Trump respeite a soberania nacional e evite interferir nas eleições brasileiras, comparando a situação com as eleições americanas, que são um "problema do Brasil".

Lula também manifestou irritação com as recentes ações americanas, como a proposta de novas tarifas contra o Brasil, que podem chegar a 37,5%. Ele classificou a medida como "desaforada" e lembrou que entregou a Trump um documento detalhando propostas de cooperação no combate ao crime organizado, com foco no fluxo de armas e recursos financeiros.

O presidente brasileiro enfatizou a importância de formalizar os pedidos de cooperação por escrito, criticando a tendência de Trump de "falar muito e ouvir pouco". Lula destacou que o Brasil está disposto a combater o crime organizado em colaboração com os EUA, apresentando inclusive dados sobre a atuação da Polícia Federal e apontando a exportação de armas para o Brasil como um ponto de preocupação.