Um espécime raro de tubarão-da-Groenlândia, com uma idade estimada de mais de 150 anos, foi encontrado morto em uma praia no condado de Sligo, na costa oeste da Irlanda. Este encalhe incomum proporcionou aos pesquisadores uma oportunidade única de estudar a fundo uma das criaturas mais longevas do planeta, cujas estimativas de vida podem alcançar até 400 anos. O animal, com cerca de 3 metros de comprimento, já teria nascido em uma época remota, como o reinado da Rainha Vitória, e para a sua espécie, sua idade ainda é considerada jovem, indicando um potencial reprodutivo não alcançado.
A bióloga marinha Emilie De Loose lamentou a perda, ressaltando que o tubarão pode não ter tido a chance de contribuir para a recuperação de sua população. A descoberta, embora triste, abriu caminho para investigações detalhadas sobre a vida deste animal, que ainda é cercado por muitos mistérios. A necropsia, realizada por uma equipe multidisciplinar, buscou extrair o máximo de informações possíveis, enfatizando a importância de entender a biologia e a ecologia de espécies que habitam ambientes extremos.
O processo de estudo apresentou desafios logísticos significativos. Devido ao tamanho e peso do tubarão — que pode atingir até 5 metros e pesar mais de 200 quilos —, foi necessária uma operação complexa para seu transporte. Após ser coberto com algas marinhas para proteção, o animal foi içado por um guindaste e levado a um laboratório veterinário regional. A equipe, equipada com trajes de proteção, realizou a necropsia seguindo rigorosos protocolos de saúde e segurança, dada a possibilidade de a presença de patógenos antigos em um animal com centenas de anos de vida.
Os tubarões-da-Groenlândia são conhecidos por serem animais solitários e de nado lento, adaptados às águas frias do Ártico e do Atlântico Norte. Sua dieta inclui carcaças, mas também são capazes de caçar presas vivas, utilizando uma poderosa sucção para engoli-las inteiras. Apesar de sua longevidade e tamanho impressionantes, muitos aspectos de sua biologia, como reprodução e locais de nascimento dos filhotes, permanecem desconhecidos. Essa lacuna de conhecimento dificulta a avaliação da saúde da população e a implementação de medidas eficazes de conservação, especialmente diante de ameaças como a captura acidental em atividades pesqueiras.
