A União Europeia (UE) intensifica sua busca por minerais críticos na América do Sul, com foco especial no Brasil, visando diminuir sua dependência da China e competir com os Estados Unidos no mercado global. Quatro projetos brasileiros foram identificados como prioritários pelo bloco europeu para garantir o suprimento de insumos vitais para indústrias estratégicas, como a de veículos elétricos e a de energias renováveis. A estratégia da UE envolve a assinatura de memorandos de entendimentos com o governo brasileiro, seguindo o modelo já estabelecido com Argentina e Chile, a fim de abrir portas para futuras cooperações e investimentos no setor de mineração.

Para dar andamento a essas negociações, o comissário de Parcerias Internacionais da UE, Jozef Síkela, tem uma visita agendada ao Brasil para o dia 18, acompanhado por representantes do Banco Europeu de Investimentos. Durante a visita, a comitiva europeia pretende conhecer pelo menos um dos projetos considerados cruciais: o Colossus, da empresa australiana Viridis, localizado em Poços de Caldas, Minas Gerais. Este projeto é de particular interesse devido às suas reservas de terras-raras, componentes fundamentais para a fabricação de ímãs utilizados em carros elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e equipamentos de alta tecnologia.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras-raras, e o projeto Colossus, segundo um estudo de pré-viabilidade, prevê um investimento de US$ 356 milhões, com início de operações estimado para o primeiro semestre de 2028. Além da extração, a Viridis estuda o refino de óxidos de terras-raras e a reciclagem de ímãs, buscando a construção de uma cadeia de suprimentos mais integrada e verticalizada no país. A visita do comissário europeu a Poços de Caldas é vista como um importante gesto político, sinalizando o interesse da UE em estreitar laços com o Brasil, apesar de não se esperar a assinatura de acordos formais durante a viagem.

A iniciativa europeia reflete a preocupação do bloco em não ficar para trás na corrida tecnológica global e em buscar maior autonomia, segurança e competitividade. O Ato Europeu de Minerais Críticos, lançado em 2023, estabelece metas ambiciosas para a UE, como processar internamente 40% de seu consumo anual de minerais críticos e limitar a importação de cada matéria-prima a no máximo 65% de um único país externo até 2030. Atualmente, a China domina entre 70% a 90% do processamento global desses minerais, o que torna a parceria com países como o Brasil essencial para que a UE alcance seus objetivos. Além do Colossus, a UE também demonstrou interesse na Refinaria São Miguel Paulista (SP), que produzirá níquel e cobalto, e no projeto da Brazilian Nickel no Piauí, que focará na produção de níquel e cobalto.