A União Europeia intensifica seus esforços para reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais estratégicos e terras raras, insumos cruciais para as transições energética e digital. Diante da dominância chinesa nesses setores, o bloco europeu vê o Brasil como um parceiro estratégico potencial para diversificar suas fontes de suprimento e fortalecer sua indústria.
Uma comitiva de alto escalão da UE desembarca no Brasil com o objetivo de prospectar oportunidades de investimento em projetos de exploração e beneficiamento de minerais críticos. A visita, que inclui encontros com empresários e autoridades governamentais, visa avançar na assinatura de protocolos de intenção. A Europa busca não apenas garantir o acesso a matérias-primas, mas também promover o desenvolvimento industrial nos países produtores, evitando repetir erros passados de concentração de fornecedores.
O interesse europeu abrange projetos promissores em diversas regiões brasileiras. Entre os alvos estão uma refinaria de níquel em São Miguel Paulista (SP), um projeto de terras raras em Poços de Caldas (MG), uma iniciativa de cobalto no Piauí e uma de lítio em Minas Gerais. A estratégia da UE é que os investimentos não se limitem à extração, mas que também fomentem etapas de maior valor agregado, como processamento e fabricação de componentes, fortalecendo alternativas à produção asiática.
A iniciativa se insere no contexto de um cenário geopolítico mais complexo, com a Europa buscando maior segurança em seus suprimentos estratégicos após crises recentes. O Brasil, detentor de vastas reservas de minerais críticos, surge como um player fundamental nessa nova configuração global. A União Europeia está disposta a financiar projetos, inclusive através do Banco Europeu de Investimento, e espera contrapartida do Brasil, possivelmente com a participação do BNDES, para a construção de cadeias produtivas mais resilientes e diversificadas.
