O Brasil e a União Europeia (UE) criaram uma força-tarefa que tem se reunido mensalmente desde novembro para avançar numa parceria na área de minerais críticos. No momento, quatro projetos estão em avaliação para investimentos europeus — de 56 que foram apresentados pelo Brasil — mas é preciso que o setor público brasileiro esteja disposto a investir, afirma o diretor da Comissão Europeia para América Latina e Caribe, Félix Fernández-Shaw. Ele participou de debate sobre a cooperação entre Brasil e União Europeia (UE), realizado na Hannover Messe 2026, a feira industrial de Hanôver, na Alemanha.
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Fernández-Shaw disse que, “em vez de grandes palavras”, decidiu-se criar o grupo de trabalho para debater possíveis formatos de cooperação. Segundo ele, as conversas estão avançadas para os quatro projetos selecionados pelos europeus — ainda não tornados públicos —, mas há obstáculos em relação a preços, participação do setor público e padrões ambientais e sociais.
A coordenadora-geral de Assuntos Internacionais do Ministério de Minas e Energia (MME), a diplomata Camila Silva Leão d'Araujo Olsen, e a especialista da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) Ana Repezza destacaram a importância de a questão dos minerais críticos ir além da exploração mineral.
— Temos uma história de mineração, mas temos agora uma nova política industrial, mais densa. É importante desenvolver as cadeias de valor. É o que temos discutido com a UE — disse Ana Repezza.
Segundo o diretor da Comissão Europeia, Brasil e UE têm interesse em diversificação:
— Trabalhar por essa parceria significa investir nisso, trazer sua indústria, mas também dinheiro. Como nós, políticos e servidores públicos, fazemos isso funcionar? Como mostramos, com ações, o que acreditamos? — disse Fernández-Shaw, acrescentando que o mercado tende a seguir por alternativas de investimento que privilegiam apenas a exploração dos minerais.
Na segunda-feira, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde, responsável pela única mina de terras-raras em produção no Brasil, em Goiás.
Um dos pontos importantes para o desenvolvimento de minerais críticos, segundo Camila, do MME, é encontrar maneiras de financiar os projetos, muitas vezes a cargo de empresas pequenas e médias, que assumem o risco:
— É preciso dar sinais a esses empresários, cofinanciamento, divisão de risco.
No momento, diversas áreas do governo, setor privado e especialistas discutem os detalhes da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no âmbito do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM).
Os minerais críticos ganharam destaque nas conversas de alto nível entre Brasil e União Europeia, como na visita ao Brasil no fim de 2025 da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen e neste encontro agora na Alemanha entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, sendo citado em discursos pelos dois líderes.
No comunicado oficial sobre as reuniões, Brasil e Alemanha destacaram a “disposição para discutir futura cooperação em minerais críticos”. Foi fechada, inclusive, uma declaração conjunta de intenções sobre cooperação científica e tecnológica na área no âmbito das reuniões entre Lula e Merz.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, citou o setor de minerais críticos como um dos que têm importância estratégica da relação bilateral entre Brasil e Alemanha. Alban reforçou que o Brasil tem reservas significativas e que esses insumos são fundamentais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.
“Não pretendemos ser apenas um exportador de recursos naturais. Buscamos processar, agregar valor e desenvolver tecnologias para construir cadeias industriais completas de produção”, disse.
* Os repórteres viajaram a convite da ApexBrasil
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