"Eu acho que nesse primeiro momento o que me parece fundamental é conter os vazamentos. Nós vivemos num país absolutamente polarizado e, com toda essa questão de mídias sociais, é preciso lembrar que a delação é um meio de prova", afirmou Vilardi.
O criminalista ressaltou que o simples fato de uma pessoa ser mencionada em uma delação não significa culpabilidade automática. "O fato de uma pessoa ser delatada, constar de uma delação, não significa que ela é culpada. O Estado vai ter que fazer a corroboração disso, a validação disso, a comprovação disso, para levar alguém para um processo e, finalmente, para uma condenação", explicou.
Gilmar critica uso de "clamor social" para justificar prisão de VorcaroGilmar critica exposição da vida íntima de Vorcaro na imprensaAla do STF, PGR e PF exigem delação completa de Daniel Vorcaro Riscos de nulidade processual Questionado se o vazamento poderia gerar uma nulidade no processo, Vilardi foi enfático: "O vazamento do anexo, se provocado por algum dos agentes obrigados ao sigilo, pode provocar uma anulidade". Embora tenha manifestado ceticismo quanto à possibilidade de anulação, por não haver precedentes, o advogado demonstrou preocupação com a extensão dos vazamentos.
"Nós ficamos surpresos com a forma avassaladora que se deu o vazamento até de conversas íntimas, nesse caso, que é lamentável", criticou o criminalista. Vilardi concordou com o posicionamento do ministro Gilmar Mendes sobre a gravidade da situação, embora tenha discordado da comparação feita com a operação Lava Jato.
O advogado ainda lembrou que, segundo a legislação, informações que não são relevantes para a investigação deveriam ser destruídas. "A lei diz que as questões que não interessam à investigação têm que ser destruídas. Quer dizer, nem poderia essa prova estar preservada, ela deveria ter sido dirigida à destruição", concluiu Vilardi, reforçando a necessidade de maior rigor no cumprimento do sigilo processual para garantir a legitimidade das investigações.
