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15.out.2026 às 16h26 Diminuir fonte Aumentar fonte Rodrigo Viga Gaier Reuters As vendas no varejo subiram menos do que o esperado no Brasil em agosto, após terem caído no mês anterior, confirmando a moderação da atividade econômica após dados da indústria e de serviços também terem desapontado.
As vendas tiveram variação positiva de 0,1% em agosto sobre julho na série com ajuste sazonal e avançaram 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quinta-feira (15).
Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam alta de 0,7% na comparação com julho e crescimento de 1,45% sobre agosto de 2025.
Em julho, o varejo havia tido queda de 0,8% sobre o mês anterior.
O indicador das vendas apontou agora crescimento em seis dos setores analisados na comparação com julho —equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4%), combustíveis e lubrificantes (1,1%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%), tecidos, vestuário e calçados (0,6%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%).
Os outros dois segmentos avaliados apresentaram queda no mesmo período —móveis e eletrodomésticos (-4,2%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%).
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O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, apontou que o avanço do crédito à pessoa física e a queda da inflação evitaram nova retração das vendas no varejo em agosto, mas disse ver o dado do mês como estabilidade, e não crescimento.
"O poder de compra maior não está indo para o consumo; pode estar indo para pagar dívida, poupar ou outra finalidade", afirmou Santos a jornalistas. Apesar da "perda de fôlego evidente" no comércio, ele ponderou que os números deste ano ainda são melhores que os de 2025.
O banco central se reunirá no início de novembro para deliberar sobre os juros, e a expectativa predominante é que promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto na Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano.
Essa será a primeira reunião de política monetária após o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão a Presidência.
Santos disse que as eleições não tiveram impacto relevante sobre o consumo.
Dados do IBGE mostraram que a produção industrial e o volume de serviços caíram em agosto, com desempenho abaixo do esperado por economistas.
"Em conjunto com os resultados recentes da indústria e dos serviços, os dados (do varejo) indicam um PIB mais fraco no terceiro trimestre de 2026, o que nos leva a revisar o crescimento do período para -0,2%", disse o economista do ASA Leonardo Costa, em nota.
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