A política brasileira parece ter encontrado em 2026 um palco para a consolidação de uma estratégia preocupante: a "política da vitimização". Essa abordagem, que transforma a autoproclamação de vítima em ferramenta de ascensão e manutenção de poder, tem sido alvo de análise por especialistas, como o cientista político Wilson Gomes. A premissa é que, ao se apresentar como alvo de perseguições ou injustiças, figuras políticas buscam gerar empatia e mobilizar bases eleitorais, muitas vezes em detrimento do debate público e da substância das propostas.
Essa dinâmica, quando levada ao extremo, pode gerar um ambiente de polarização ainda mais acirrada e dificultar a construção de pontes e consensos necessários para a governabilidade. A narrativa de "nós contra eles", onde um grupo se posiciona como vítima e o outro como algoz, tende a simplificar questões complexas e a deslegitimar oponentes, minando a confiança nas instituições democráticas e no próprio processo eleitoral.
O cientista político Wilson Gomes, em sua análise, aponta que essa tática pode ter efeitos devastadores a longo prazo. Ao invés de focar em soluções para os problemas reais do país, a energia política é canalizada para disputas narrativas e para a gestão da imagem de cada ator. A "vítima" se torna a protagonista, mas o verdadeiro prejudicado, segundo essa perspectiva, é o próprio povo brasileiro, que se vê imerso em um cenário de conflito constante e com poucas perspectivas de avanço real.
A eleição de 2026, portanto, já se anuncia como um teste para a capacidade da sociedade brasileira de discernir entre discursos genuínos e estratégias de autopromoção. A esperança reside na capacidade dos eleitores de reconhecerem a política da vitimização e optarem por candidatos que apresentem projetos concretos e um compromisso real com o bem-estar coletivo, em vez de se deixarem levar por narrativas que, no fundo, apenas aprofundam as divisões.