O principal culpado é o presidente americano, Donald Trump, que usa a imposição de tarifas como instrumento de coerção para todo tipo de objetivo. No caso do Brasil, também objetivos políticos. Mas há fatores de longo prazo, e bastante complexos.

O Brasil é uma economia fechada que, ao longo de décadas, achou que o melhor jeito de se desenvolver era se proteger. Nenhuma surpresa que fosse alvo de medidas como tarifas – embora se possa argumentar sobre quem sai perdendo mais, se quem impõe ou quem as sofre.

Tarifaço: Governo deve ter nova reunião com EUA sobre tema, diz ministroPlanalto diz repudiar fala de Flávio sobre tarifaço: "Não se opôs à medida"Tarifaço: Setor privado vê possível extensão de isenções após audiência Mas, uma vez impostas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) achou mais proveitoso ganhar benefícios eleitorais assumindo o papel de vítima ofendida do que fazer o que vários outros países fizeram, que era se engajar de cabeça num "toma lá dá cá" em busca de melhores condições.

Pelo seu lado, a campanha conduzida pelos Bolsonaro's cometeu o brutal erro inicial de pedir tarifas como forma de ajudar o chefe encarcerado. E agora luta para provar que consegue reverter o que seus expoentes achavam que seria uma grande jogada para pressionar o governo e o STF (Supremo Tribunal Federal).

O que o debate político rasteiro brasileiro ofusca é o fato de que o Brasil sofre uma enorme pressão geopolítica, que revelou vulnerabilidades perigosas e, principalmente, falta de planejamento e inteligência estratégica.