Veio do presidente Lula (PT), que já deixou claro em público, mais de uma vez, que seu terceiro mandato é devido em boa parte ao Supremo. Mas hoje, deixou claro que a Corte é uma ameaça para obter um eventual quarto mandato.
E a culpa disso é do ministro Alexandre de Moraes, que Lula já tratou como salvador da democracia.
O presidente contou que disse pessoalmente a Moraes para não jogar fora a biografia dele, Moraes, por conta do escândalo do Banco Master, e, portanto, que se declarasse impedido de atuar em questões envolvendo esse tema.
Lula referiu-se diretamente a um contrato entre o Master e o escritório de advocacia tocado pela mulher de Moraes, um negócio portentoso que rendeu R$ 80 milhões e levou a família do ministro à condição de milionária em curtíssimo espaço de tempo.
Passou da hora do STF enfrentar limites da delação, diz autor de ação do PTAção sobre delação liberada por Moraes preocupa PGR e delegados da PFMendonça diz a aliados não garantir homologação de delação de Vorcaro Não se sabe o que Moraes teria respondido ao conselho de Lula, mas o que ele fez foi aumentar ainda mais no público a percepção de que integrantes do Supremo agem hoje para salvar principalmente a própria pele.
Moraes liberou para julgamento no plenário do STF uma ação proposta pelo PT de fixar limites para acordos de delação premiada.
O assunto dormia em uma gaveta há cinco anos, mas como o PT defende que delação assinada por quem está preso seja considerada nula, e Daniel Vorcaro preso prepara uma delação na qual ministros do Supremo poderiam ser incluídos, tudo ganhou outra dimensão.
Há poucos dias, o decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes, disse, emocionado, que as gerações futuras têm uma dívida de gratidão com Alexandre de Moraes.
Lula, pelo jeito, acha que ele está atrapalhando.
