A Women's Tennis Association (WTA) anunciou uma nova política de elegibilidade que exigirá testes genéticos para todas as jogadoras do circuito profissional feminino. A medida, aprovada após consultas com atletas e análise das recentes mudanças no esporte, visa garantir a igualdade de oportunidades e manter uma competição justa para todas as competidoras. O exame genético será realizado apenas uma vez ao longo da carreira da tenista, podendo ser feito por meio de coleta de sangue ou swab bucal, e terá como objetivo verificar a presença do gene SRY, localizado no cromossomo Y e associado ao desenvolvimento de características masculinas.

Caso o resultado do teste genético seja positivo para o gene SRY, a atleta será submetida a uma avaliação médica aprofundada antes que sua situação de elegibilidade seja formalmente analisada pela entidade. Essa nova diretriz estabelece que a elegibilidade para o circuito feminino será baseada no sexo biológico, substituindo a regra anterior que permitia a participação de mulheres trans desde que mantivessem os níveis de testosterona abaixo de 2,5 nmol/L por, no mínimo, dois anos. Segundo a própria WTA, não há registros de mulheres trans atuando no circuito profissional da organização.

A decisão da WTA acompanha uma tendência crescente em diversas entidades esportivas internacionais. Em março deste ano, o Comitê Olímpico Internacional (COI) também anunciou a adoção de testes genéticos de gênero para atletas inscritas nas Olimpíadas, com implementação prevista a partir dos Jogos de Los Angeles 2028. O COI recomendou ainda que as federações internacionais considerassem a adoção de critérios semelhantes em suas respectivas competições, buscando uniformizar as regras e garantir a integridade dos eventos esportivos.

Além da WTA, federações de atletismo e boxe já implementaram políticas de elegibilidade baseadas em testes genéticos. O COI, contudo, prevê exceções para atletas diagnosticadas com Síndrome de Insensibilidade Completa aos Andrógenos (CAIS) e para alguns casos de diferenças no desenvolvimento sexual (DSDs), desde que não haja vantagem competitiva decorrente da ação da testosterona. Apesar do debate público e das novas regras, a participação de atletas transgênero em grandes eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos, tem sido limitada até o momento, com o caso da levantadora de peso Laurel Hubbard em Tóquio 2021 sendo um dos mais notórios.