Especialistas apontam que o Brasil se encontra em um momento estratégico para assegurar uma posição de liderança na nova economia de dados global. Essa avaliação foi unânime durante o painel "Soberania Digital e Desenvolvimento Econômico", realizado em Brasília. O evento, parte do Fórum Nacional de Inteligência Artificial na Advocacia, promovido pela OAB em parceria com a Universidade de Stanford, reuniu autoridades e acadêmicos para discutir o futuro digital do país.
A principal vantagem competitiva do Brasil, segundo os debatedores, reside em sua matriz energética predominantemente limpa e renovável, que compõe 89% de sua capacidade. Essa característica, aliada ao grande volume de dados públicos e à vocação para a redução de desigualdades, confere ao país um diferencial único. O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, ressaltou que a soberania digital vai além da infraestrutura e mercados, traduzindo-se na capacidade do Estado de impor suas regras e proteger direitos, utilizando a energia limpa como base para conduzir a próxima revolução tecnológica.
Nate Persily, professor da Universidade de Stanford, comparou a inteligência artificial a uma Revolução Industrial acelerada, enfatizando a urgência de definições estratégicas por parte dos países. Ele alertou que adiar decisões cruciais significa perder espaço em uma corrida tecnológica sem linha de chegada. Thay Graciano, pesquisadora da mesma instituição, complementou a análise, destacando a criatividade brasileira, a receptividade a novas tecnologias e o compromisso com a inclusão digital como fatores adicionais que fortalecem a posição do Brasil no cenário mundial.
Os especialistas também mencionaram o uso crescente da inteligência artificial no Judiciário brasileiro como um exemplo de como a tecnologia pode otimizar processos e ampliar o acesso à justiça. A secretária-executiva da Secom, Samara Castro, reforçou que a maturidade institucional do Brasil em governo digital, evidenciada por iniciativas como Pix e Gov.br, somada à energia limpa e a bases de dados públicas, posiciona o país de forma diferenciada. Ela citou a discussão no Congresso sobre a atração de data centers e a tramitação do marco legal dos minerais críticos como avanços importantes. O propósito central da agenda digital brasileira, segundo os participantes, é colocar o avanço tecnológico a serviço da redução das desigualdades sociais, visando a geração de empregos de qualidade e a melhoria dos serviços públicos.


