Ler Resumo A corrida global pela transição energética coloca minerais críticos, como as terras raras, no centro de disputas. A China domina o refino desses elementos vitais para a tecnologia. O Brasil, com vasta reserva e matriz energética limpa, surge como potencial protagonista, mas enfrenta o desafio de investir em tecnologia para refinar e agregar valor, indo além da exportação de matéria-prima. Este resumo foi útil?
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A corrida global pela transição energética colocou os chamados minerais críticos no centro das disputas econômicas e geopolíticas. Durante entrevista, a diretora executiva do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos, explicou que o termo vai muito além da mineração tradicional. Segundo ela, minerais críticos são recursos considerados essenciais para áreas estratégicas como defesa, tecnologia, infraestrutura e geração de energia limpa. O detalhe importante é que essa classificação muda de país para país, dependendo da dependência econômica e da disponibilidade do recurso em cada território.
Dentro desse universo aparecem as chamadas terras raras, um grupo específico de elementos químicos usados em tecnologias de ponta, como painéis solares, carros elétricos e equipamentos eletrônicos avançados. Rosana destacou que muita gente imagina que o nome esteja ligado à escassez desses minerais na natureza, mas o problema real é outro: a enorme dificuldade técnica para extrair e purificar esses elementos até o nível exigido pela indústria. É justamente essa complexidade que transformou o setor em uma área estratégica no cenário internacional.
Hoje, a China domina mais de 80% do mercado global de refino de terras raras, posição construída ao longo de décadas com investimento em energia barata, tecnologia e planejamento industrial. Segundo Rosana, o país asiático não necessariamente descobriu os minerais primeiro, mas soube criar uma cadeia produtiva integrada capaz de transformar matéria-prima em produtos industriais de alto valor agregado. Isso deu aos chineses uma vantagem competitiva que agora preocupa governos do mundo inteiro.
Nesse contexto, o Brasil aparece como um potencial protagonista. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta e uma matriz elétrica considerada uma das mais limpas do mundo, com quase 90% de geração renovável. Para Rosana Santos, essa combinação cria uma oportunidade rara: produzir e refinar minerais estratégicos com menor impacto ambiental, algo cada vez mais valorizado por investidores e pela indústria global de energia limpa.
O desafio brasileiro, porém, ainda está na capacidade de agregar valor ao que extrai. A especialista defende que o país precisa deixar de atuar apenas como exportador de minério bruto e avançar para etapas de beneficiamento e purificação em território nacional. A discussão já chegou ao Senado dentro do debate sobre um novo marco legal para minerais críticos e estratégicos. A avaliação é que, sem investir em tecnologia e processamento, o Brasil continuará vendendo matéria-prima barata enquanto outros países concentram a riqueza gerada pela indústria de transformação.
