Os dados fazem parte de um levantamento da Serasa Experian antecipado pelo jornal O Globo. Em maio, o país registrava nove milhões de empresas negativadas, com R$ 229,9 bilhões em débitos. Em apenas um mês, portanto, cerca de 100.000 CNPJs entraram para a lista de inadimplentes, enquanto o montante em atraso cresceu R$ 3 bilhões.
Cada empresa negativada possuía, em média, 7,3 contas vencidas. As pendências podem envolver bancos, fornecedores ou prestadores de serviços como energia elétrica e telecomunicações. O valor médio devido era de R$ 25.508,96 por CNPJ.
As micro e pequenas empresas são as mais atingidas. Dos 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes, 8,7 milhões pertenciam a negócios desse porte, o equivalente a aproximadamente 95% do total.
O setor de serviços concentrava 55,7% das empresas negativadas em junho. O comércio aparecia em seguida, com 32,2%.
O avanço ocorre em um ambiente de crédito caro e consumo pressionado. Mesmo após o início do ciclo de redução dos juros, a taxa Selic permanece em 14% ao ano, patamar que encarece empréstimos, capital de giro e renegociações.
A inadimplência das famílias também restringe as vendas das empresas. Segundo a Serasa Experian, 83,9 milhões de consumidores estavam negativados em julho. Com parte maior da renda destinada ao pagamento de dívidas e despesas básicas, sobra menos dinheiro para o consumo de produtos e serviços.
A dificuldade para pagar compromissos vem aparecendo também no aumento dos pedidos de recuperação judicial. O mecanismo permite que empresas em crise negociem suas dívidas com os credores sob supervisão da Justiça.
Somente neste fim de semana, a Marabraz apresentou um pedido para renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas. A recuperação judicial, porém, costuma ser utilizada por empresas maiores, enquanto os pequenos negócios dependem principalmente de negociações diretas, programas públicos ou linhas bancárias.
Programas voltados às empresas de menor porte já renegociaram R$ 28 bilhões. De acordo com dados do Ministério do Empreendedorismo divulgados pelo O Globo, foram 185.000 operações no Pronampe, no valor de R$ 26 bilhões, e outras 47.000 no ProCred 360, que somaram R$ 2 bilhões.

