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4.nov.2026 às 15h01 Atualizado: 4.nov.2026 às 16h28 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Luany Galdeano Brasília O Brasil gerou 121,3 mil postos de trabalho formais em setembro, uma queda de 43% em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Ministério do Trabalho. O resultado foi o pior registrado para o mês de setembro desde o início do Novo Caged, em 2020.

O saldo para o mês foi inferior até mesmo ao de setembro daquele ano, quando o mercado de trabalho sofria com os efeitos da pandemia de Covid-19. O saldo no mesmo mês em 2020 foi de 299,7 mil empregos formais.

O país teve 2,214 milhões de contratações e 2,09 milhões de demissões. O acumulado de empregos formais deste ano, de 1,2 milhão, segue como o pior desde 2020, quando o resultado foi negativo.

Em abril, maio, junho, julho e agosto, a economia brasileira registrou os piores resultados para cada mês desde 2020, em indicativo da desaceleração do mercado de trabalho.

Em coletiva, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu esse movimento à alta dos juros, tema que é alvo de críticas dele e de outros integrantes do governo Lula (PT). Nesta quarta, o Copom (Comitê de Política Monetária) vai se reunir para debater sobre a taxa Selic. Como mostrou a Folha, a previsão é que o ciclo de cortes seja interrompido e a taxa permaneça nos 13,75%.

"Os juros vem machucando o ritmo de investimento e isso reflete no número de empregos gerados", afirmou o ministro.

Ele comentou ainda sobre a proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir a alta de juros, tema que gerou apreensão no mercado. Autoridades do governo e do PT negaram que o governo vá adotar essa ideia.

Marinho afirmou que não leu o artigo de Lara Resende, mas considerou ruim a repercussão do mercado. Para o ministro, o presidente Lula deve ouvir todas as contribuições e definir por conta própria se deve aceitá-las ou não. Depois, ele disse que o patamar atual de juros dificulta o avanço econômico do país.

"Qualquer tentativa de discussão que não esteja no quadradinho do mercado da Faria Lima é uma grita contra. O presidente não tem direito de conhecer teses diferentes? O que é inaceitável é continuar no patamar de justo que nós pagamos", afirmou.

Segundo o Caged, quatro dos grandes agrupamentos econômicos registraram alta no número de empregos formais. O setor de agropecuária teve saldo negativo, com menos 4.381 vagas.

O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com mais 81,2 mil postos formais, seguido pelo setor de indústria, com 19,3 mil.

O comércio varejista registrou saldo positivo de 9.435 empregos. No entanto, permanece com resultado negativo no acumulado do ano, com menos 31,6 mil empregos formais.

Entre os estados, apenas o Rio Grande do Sul teve queda no saldo de postos com carteira assinada. A redução foi de 0,1%, puxada por queda na fabricação de produtos de fumo e no comércio varejista.

As maiores altas foram em Alagoas, onde houve aumento de 2,47% no saldo de empregos formais, seguido por Amapá (1,35%) e Roraima (1,23%).

As maiores variações de janeiro a setembro foram registradas no Amapá, com alta de 7,75%, em Roraima, com mais 4,54%, e no Piauí, com 4,52%.

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