Os mercados emergentes continuam a atrair capital estrangeiro, registrando a sexta semana consecutiva de fluxos positivos, com um total de US$ 1,2 bilhão aportado, de acordo com um relatório do JP Morgan. Essa tendência contrasta fortemente com a situação do Brasil, que enfrenta uma significativa retirada de investimentos. Na semana analisada, o país viu sair US$ 1,6 bilhão, um valor que se soma à perda recorde de US$ 2,3 bilhões registrada na semana anterior.

O relatório detalha que as principais economias emergentes que captaram investimentos foram Taiwan, Coreia do Sul e Índia, com destaque para o papel dos ETFs (fundos negociados em bolsa) nas aplicações. No entanto, o cenário brasileiro é de preocupação. Uma análise separada sobre a estratégia de renda variável para o país aponta que o Brasil está se encaminhando para a terceira maior saída mensal de capital estrangeiro desde 2008. Até o dia 18 de agosto, R$ 20,5 bilhões foram retirados da bolsa brasileira por investidores estrangeiros.

Diante desse cenário, o JP Morgan revisou sua recomendação de investimento para o Brasil, rebaixando-a de "overweight" (acima da média) para "neutra". O banco expressa cautela quanto ao futuro dos fluxos, indicando que, historicamente, após períodos de "saída extrema" de capital, os fluxos tendem a permanecer negativos por alguns meses. Essa tendência de resgates pode continuar no mês seguinte a eventos de grande retirada.

Contrariando expectativas que associam a saída de investidores a fatores políticos internos, o JP Morgan pontua que não vê uma relação direta com as eleições. A análise do banco sugere que os fluxos de capital estrangeiro estão mais intimamente ligados a fatores externos, como o nível dos juros do Tesouro dos Estados Unidos e a cotação do dólar norte-americano. Para corroborar, o relatório observa que, historicamente, os fluxos em torno de eleições brasileiras têm sido, em sua maioria, positivos, tanto nos meses anteriores quanto nos posteriores às disputas, com exceção de 2018.