Após cair 1,9 ponto e julho, o Indicador de Incerteza da Economia brasileira (IIE-Br) subiu 2,3 pontos, para 111,7 pontos em agosto, informou nesta segunda segunda-feira (31) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior elevação desde março (9,2 pontos) e levou o indicador ao maior patamar desde abril (117,2 pontos), informou Anna Carolina Gouveia, economista da fundação.
Segundo a especialista, novos aumentos no indicador não estão descartados. Isso porque os próximos meses são de reta final de pleito presidencial, lembrou. Durante períodos eleitorais, disse, há maior probabilidade de o indicador se manter volátil, dada indefinição sobre política econômica do próximo governo.
A especialista ponderou que, em agosto, o indicador foi também impulsionado por incertezas no quadro político. Isso porque uma das questões que mais afligem os analistas de mercado é o que o próximo governante fará a respeito da questão fiscal, lembrou. Esse fator dominou o noticiário do mês, notou. Isso fez com que o componente de Mídia, um dos dois que fazem parte do IIE-Br, subisse 2,8 pontos, em agosto, para 111,6 pontos, e contribuir com 2,4 pontos para resultado do indicador. “A proximidade das eleições e o retorno da discussão em relação às contas públicas [sobre o que próximo governante fará sobre o tema] é que gerou esse aumento no componente de mídia”, disse.
Já o componente de Expectativas, que mede dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, recuou 0,8 ponto em agosto, para 106,9 pontos.
Outro fator que ajudou a elevar incerteza, segundo a especialista, foi a piora no quadro externo, com notícias relacionadas ao governo americano e acirramento com conflito com Irã, além de outros conflitos globais e seus impactos negativos, nas economias mundiais. Esses dados contribuíram para manter incerteza acima de 110 pontos, disse.
E, no quadro doméstico, as incertezas operam também em campos importantes, notou. As recentes altas em preços dos combustíveis, influenciada por volatilidade no preço do petróleo, está a gerar dúvidas quanto à trajetória de inflação no Brasil.
O mercado de trabalho, por sua vez, mostrou continuidade de aquecimento, em agosto, lembrou. Isso levanta dúvidas sobre a política monetária do Banco Central (BC). O BC pode precisar manter a taxa básica de juros (selic), atualmente em 14% ao ano, ou ajustar trajetória de queda inicialmente prevista, disse.
Ela comentou ainda que há previsões de aumento em outros preços, especialmente de alimentos, devido ao "super El Niño", fenômeno climático que leva a mudanças erráticas de clima, a prejudicar lavouras e, por consequência, oferta de alimentos.
Todos esses fatores de influência, que ajudaram a compor a alta do índice em agosto, não devem desaparecer nos próximos meses, admitiu. Assim, a técnica comentou que o indicador deve permanecer volátil, até fim do ano, ainda mais com a proximidade de pleito presidencial. A economista ponderou que o grau de volatilidade vai depender do quão acirrada será a campanha presidencial de 2026. “Quanto maior o acirramento, maior a incerteza que a gente vai ter para o futuro. Porque isso não deixa muito claro qual que vai ser a política econômica do próximo governo, a depender de quem assumir”, disse.



