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31.ago.2026 às 18h06 Atualizado: 31.ago.2026 às 19h40 Diminuir fonte Aumentar fonte Marcos Hermanson Isabella Menon Brasília e Washington O Brasil e os EUA não saíram da reunião desta segunda-feira (31) com avanço em pontos concretos, mas concordaram que a negociação está em um "novo cenário", e o presidente Donald Trump orientou os representantes da Casa Branca a buscar um acordo com o governo Lula (PT), afirmou o ministro Márcio Elias Rosa (Indústria).
"Reconhecemos, ambos, que estamos diante de um novo cenário, de novas bases para trabalharmos para esse acordo", disse o ministro, após participar de reunião virtual com Jamieson Greer, o representante de Comércio dos Estados Unidos. O ministro Mauro Vieira (Itamaraty) também participou do encontro, que reabriu das negociações com os americanos após o tarifaço de julho.
"Ele [Greer] nos disse: o presidente Trump orientou e ordenou que dialogássemos para um acordo", relatou Elias Rosa em conversa com jornalistas nesta segunda no Ministério da Indústria, em Brasília.
Segundo o ministro, a mudança de postura decorre da imposição das novas tarifas americanas contra produtos brasileiros. Até julho, afirmou, as conversas partiam da tentativa de evitar a adoção das sobretaxas. Agora, com as medidas em vigor, o Brasil argumenta que a relação tarifária passou a ser desequilibrada em favor dos Estados Unidos.
"Hoje, a verdade é que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil", disse.
O ministro afirmou que a reunião desta segunda teve como principal resultado a retomada formal das negociações, sem que fossem discutidas propostas específicas, setores ou eventuais concessões de cada lado. Equipes técnicas dos dois países devem voltar a se reunir nos próximos dias, e novos encontros, virtuais e presenciais, estão previstos para as próximas semanas.
"Hoje, a boa notícia é: retomamos o diálogo para uma negociação. Isso é muito importante", afirmou.
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"O presidente Trump orientou e ordenou que dialogássemos para um acordo", afirmou o ministro. "A partir do telefonema do presidente Lula, eles estão de novo na mesa de negociação."
Rosa ressaltou que o retorno dos americanos ocorreu sem que o Brasil tivesse apresentado uma nova concessão. Segundo ele, Brasília havia permanecido disposta a negociar mesmo depois da interrupção das conversas em julho.
"Algo precisava acontecer para que eles retornassem à mesa sem que fosse uma concessão da parte do Brasil. E é isso que aconteceu. Sem que nós tenhamos oferecido algo, eles voltaram para a negociação", disse.
Apesar da retomada, o ministro afirmou que o governo brasileiro voltou a contestar os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas. Entre os pontos levantados na reunião estiveram o Pix e as críticas americanas à política ambiental brasileira, temas incluídos na investigação conduzida pelos EUA sob a Seção 301.
Rosa afirmou que o funcionamento do Pix não será objeto de negociação. "O Pix é um patrimônio do Brasil, mais de 80% dos brasileiros utilizam, e não há possibilidade de negociarmos o funcionamento do Pix", disse.
O governo brasileiro também apresentou dados sobre a redução do desmatamento e voltou a defender que questões sem caráter econômico ou comercial sejam retiradas das discussões. "Nada do que possa causar dano aos interesses econômicos do país, aos interesses do Brasil, nós vamos negociar, vamos colocar na mesa", afirmou o ministro.
Questionado se uma negociação poderia resultar na retirada das tarifas atualmente impostas pelos Estados Unidos, o ministro disse que isso dependerá das próximas rodadas. "Até onde vai a concessão da parte deles e até onde vai a concessão da parte do Brasil, o tempo dirá, as conversas, as rodadas dirão", afirmou.
Os ministros afirmaram na reunião virtual com Jamieson Greer "que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio", segundo nota divulgada pelo governo Lula (PT) nesta segunda.
Brasil e EUA concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial, em encontro ainda sem data, para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais e nas reuniões de nível técnico que devem acontecer nas próximas semanas.
"O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países", diz a nota assinada pelo Itamaraty e pelo ministério da Indústria.
Segundo a chancelaria, as próximas reuniões de alto nível podem ser presenciais ou virtuais.
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