Uma análise detalhada, cruzando dados do Censo 2022 do IBGE com os resultados do segundo turno das eleições presidenciais, aponta para uma relação entre a concentração de evangélicos em municípios e o desempenho do candidato Flávio Bolsonaro (PL). O estudo demonstra que, em cidades onde a população evangélica é mais expressiva, Bolsonaro apresentou um desempenho eleitoral superior, contrastando com a votação obtida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento dividiu os municípios em faixas de acordo com a proporção de evangélicos na população e o percentual de votos recebidos por Bolsonaro. Observou-se que nos municípios com até 10% de evangélicos, Lula obteve 68,5% dos votos válidos. Essa vantagem para Lula diminuiu gradualmente conforme o percentual de evangélicos aumentava, invertendo-se a partir da faixa de 30% de evangélicos. Nos municípios com mais de 40% de evangélicos, Bolsonaro chegou a obter 55,2% dos votos válidos.

O Centro-Oeste se destacou como a região onde essa correlação foi mais nítida, com um número expressivo de municípios apresentando alta presença evangélica e, ao mesmo tempo, votação expressiva para o candidato do PL. Em contraste, o Nordeste mostrou um cenário diferente, com a maioria dos municípios apresentando poucos evangélicos e votação baixa para Bolsonaro, enquanto grandes cidades como Salvador e Teresina deram ampla vantagem a Lula.

É fundamental ressaltar, no entanto, que a proporção de evangélicos em um município não é o único fator determinante na geografia eleitoral. Diversos outros elementos, como questões socioeconômicas e regionais, também influenciam a decisão do eleitor. O estudo, ao apresentar essa correlação, não sugere que a religião tenha sido a causa direta do resultado eleitoral, mas sim que as duas variáveis tendem a se apresentar conjuntamente em diversas localidades, com nuances importantes em cada região do país.