Fortaleza (CE) será palco da 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil, um evento que acontecerá entre os dias 19 e 21 de agosto de 2026. A conferência tem como objetivo principal a formulação de uma agenda nacional de segurança pública que priorize a defesa dos direitos humanos. O encontro reunirá um amplo espectro da sociedade civil, incluindo movimentos sociais, pesquisadores, organizações não governamentais e familiares de vítimas de violência institucional, promovendo um debate crucial sobre as políticas de segurança no país.

A mobilização é uma iniciativa dos Fóruns Populares de Segurança Pública e é fruto de um processo preparatório extenso, que contou com cerca de 50 pré-conferências realizadas em comunidades, universidades e associações de moradores. A abrangência do evento é nacional, com a participação confirmada de representantes de 15 unidades federativas de todas as cinco regiões do Brasil: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

O período em que a conferência será realizada é particularmente significativo, coincidindo com a divulgação de dados preocupantes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. O relatório aponta que os indicadores de feminicídios e de mortes decorrentes de intervenção policial atingiram seus maiores patamares históricos. Em 2025, as mortes causadas por agentes do Estado somaram 6.602, representando 16% do total de mortes violentas intencionais registradas no Brasil, evidenciando a urgência de novas abordagens.

Edna Jatobá, coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), uma das entidades organizadoras, ressalta que esses números reforçam a necessidade de descentralizar a discussão sobre o uso da força pública e de dar voz às populações mais afetadas pela violência e pela repressão. A conferência está organizada em grupos de trabalho que abordarão temas como justiça criminal, prevenção social do crime e direitos territoriais. As conclusões serão consolidadas na Carta da 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil, que apresentará 27 pontos prioritários para combater o racismo estrutural, reduzir desigualdades e reestruturar a segurança pública. Esta carta será formalmente entregue aos candidatos nas eleições de 2026.