Durante encontro com lideranças protestantes na semana passada, o chefe do Executivo afirmou que a Igreja Católica cresce menos do que a evangélica por "não acabar com o celibato".
Brasil não previu sanções a PCC e CV, mas já esperava novos ataquesSTF iguala licença-maternidade de mães biológicas e adotivasEntorno de Lula prevê proibição total de cassinos online e bets no Brasil Em café com jornalistas na CNBB também nesta quarta, antes da entrevista à CNN Brasil, sem citar nomes de qualquer candidato, Dom Jaime Spengler criticou a mistura de religião e política ao ser questionado sobre o assunto pela reportagem. Ele ressaltou que, quando isso aconteceu na história, “o resultado não foi positivo”.
“Ao longo da história, quando política e religião estiveram muito envolvidos, o resultado não foi positivo. Então, esse uso da religião -- ou, se quisermos, de igrejas – para a autopromoção talvez de candidatos ou ideologias, isso não é salutar. Creio que surge aí no nosso horizonte um aspecto muito perigoso, muito perigoso.”
Também sem citar nomes, Dom João Justino, primeiro vice-presidente da CNBB, chamou a atenção para quando eventualmente procura-se legitimar um candidato como se ele fosse um escolhido de Deus.
“Aí as coisas se confundem completamente. [...] Isso é muito grave. Porque muitas pessoas acabam acreditando que a pessoa foi ungida por Deus. Há uma vocação política, mas deveria passar pelo processo democrático, em que a pessoa apresenta suas propostas, sua história de vida, seus compromissos.”
No café, Dom Jaime Spengler voltou a reforçar que a entidade não tem movimentação político-partidária nem defende qualquer candidato em específico. Ele, no entanto, criticou a polarização persistente na sociedade, ao lembrar haver famílias e comunidades divididas por questões ideológicas.
“E parece que não estamos conseguindo sair dessa situação.”
Spengler afirmou ser preciso promover uma consciência política e democrática na sociedade, especialmente diante de um processo de descrédito das instituições. Para o presidente da CNBB, a missão de seus integrantes é de serem “construtores de pontes de diálogo”.
O cardeal ainda criticou a falta de apresentação de propostas e ausências em debates por parte de candidatos deste pleito de outubro. Nem Lula nem Flávio Bolsonaro (PL) têm aceitado participar de debates com os demais postulantes à Presidência, por exemplo.
“O que assistimos é um retirar-se diante da necessidade de apresentar à população quais são as verdadeiros propostas que cada um dos candidatos tem para o Brasil. O que temos assistido aí nos momentos de debate é que, quem se apresenta como, vamos dizer, com maior oportunidade, está se retirando do debate. Isso não nos ajuda. Isso não ajuda no processo de discernimento que cada cidadão precisa realizar diante do direito do voto. [...] Tenho muito medo desse tipo de comportamento, porque o espaço dos debates é o espaço para apresentarem de forma objetiva o que cada um sonha, traz, imagina para seu possível mandato, e não estamos assistindo a isso”, declarou o cardeal.


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