A balança comercial brasileira registrou um desempenho excepcional em outubro, alcançando um superávit de US$ 9,32 bilhões. Este valor representa o maior saldo positivo para o mês em 37 anos, superando em 39,4% o resultado de outubro do ano anterior. O feito foi impulsionado principalmente pela forte expansão das exportações, que totalizaram US$ 31,51 bilhões, um volume que superou o crescimento das importações, as quais atingiram US$ 24,82 bilhões.

A corrente de comércio, que abrange o total de exportações e importações, atingiu a marca de US$ 56,33 bilhões, estabelecendo também um novo recorde para meses de outubro desde o início da série histórica em 1989.

O setor de indústria extrativa foi o grande protagonista das exportações, com vendas que somaram US$ 11,52 bilhões. Produtos como petróleo bruto e minérios de metais e concentrados apresentaram altas expressivas, com o petróleo bruto registrando um aumento de 122,6% em suas vendas. A indústria de transformação também contribuiu significativamente, impulsionada pela exportação de combustíveis (com alta de 164,5%) e farelos de soja (39,1%). A agropecuária também teve sua participação, com destaque para a soja e um crescimento relevante nas vendas de animais vivos.

O governo federal atribui parte deste resultado positivo ao aumento da produção nacional e à elevação dos preços de commodities, como o petróleo, no mercado internacional. As exportações brasileiras demonstraram crescimento para a maioria dos principais parceiros comerciais, incluindo a Europa e a América do Norte. Mesmo diante de tensões comerciais, os Estados Unidos ampliaram suas compras de produtos brasileiros, beneficiados por negociações que isentaram itens como componentes de aviação, carne e suco de laranja de novas tarifas. Em contrapartida, as vendas para a China apresentaram uma queda de 5,3%, influenciadas pelo encerramento de cotas de exportação para carnes.

No âmbito das importações, houve um crescimento de 14,8%, com destaque para os combustíveis, que registraram um aumento de valor de 86,8% devido à alta dos preços internacionais. Bens de consumo também tiveram um avanço notável nas importações, enquanto os bens de capital apresentaram um crescimento mais moderado, indicando uma possível desaceleração nos investimentos. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, o superávit comercial já alcança US$ 71,04 bilhões, um aumento de 34,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o fechamento de 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou sua projeção de superávit para US$ 84,4 bilhões, valor superior às expectativas do mercado financeiro.