Um vídeo de campanha eleitoral gravado nas imediações do Morro Dona Edith, em Blumenau, Santa Catarina, desencadeou uma onda de reações negativas de policiais e residentes locais. A gravação, publicada pelos candidatos Felipe Barcellos (a deputado federal) e Tulio Pfuetznreiter (a senador), ambos do recém-formado Partido Missão, abordou temas como segurança pública e tráfico de drogas na região.
No material audiovisual, os candidatos alegaram a existência de barricadas e a participação de crianças armadas em atividades ilícitas, além de afirmar que o local é um dos principais pontos de tráfico em Blumenau, com crescimento anual da atividade. Essas afirmações foram veementemente contestadas por policiais que atuam ou já atuaram na área e por moradores familiarizados com a realidade local. Um sargento da Polícia Militar de Blumenau classificou o vídeo como "bem exagerado" e "sensacionalista", afirmando que não há ocorrência de barricadas e que a presença de armas de fogo é uma exceção.
Um policial civil da Divisão de Investigação Criminal (DIC) que participou de operações na região rebateu as declarações, afirmando que "nunca teve barricada aí no morro". Ele reconheceu a forte atuação do tráfico de drogas e a carência de estrutura habitacional, mas ressaltou que o restante das alegações apresentadas no vídeo não correspondem à verdade. Essa manifestação ganha peso, especialmente porque o policial civil mencionou que o delegado da época das operações era Egidio, o atual prefeito de Blumenau, que foi criticado pelos candidatos no vídeo.
Além disso, a reportagem identificou que ao menos um dos episódios citados pelos candidatos para embasar suas narrativas, como uma operação policial com apreensão de armas, não ocorreu no Morro Dona Edith, mas em outro local. A utilização de marcas jornalísticas de veículos de comunicação no material eleitoral também foi questionada, com indícios de que não houve autorização para tal uso. O vídeo também incluiu declarações polêmicas de um dos candidatos sobre controle migratório e o uso de força letal pela polícia, misturando questões de locomoção territorial com segurança pública.



